Autor Tópico: Jane Goodall (1934-2025)  (Lido 613 vezes)

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FragaCampos

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Jane Goodall (1934-2025)
« em: Quinta, 02 de Outubro, 2025 - 19h36 »



Aos 91 anos, Jane Goodall, um dos pilares do ativismo pela Natureza, faleceu de “causas naturais” nos Estados Unidos, revelou hoje o Instituto Jane Goodall. Deixa uma vida dedicada ao estudo pioneiro e à conservação dos chimpanzés, e inspirou e capacitou pessoas em todo o mundo para a proteção do mundo natural e para a paz.

“A Dra. Jane Goodall, DBE, fundadora do Instituto Jane Goodall, Mensageira da Paz das Nações Unidas e reconhecida mundialmente como etóloga, conservacionista e humanitária, faleceu aos 91 anos, de causas naturais”, revelou hoje, em comunicado, o Instituto Jane Goodall.


Jane estava em Los Angeles, na Califórnia, como parte de uma digressão que a levaria a vários locais dos Estados Unidos.
A etóloga e ativista tornou-se mundialmente conhecida pelo seu estudo de 65 anos sobre chimpanzés selvagens em Gombe, na Tanzânia.

Nas últimas décadas, expandiu o seu foco e tornou-se defensora global dos direitos humanos, do bem-estar animal, da proteção de espécies e do ambiente.

“Jane era profundamente empenhada em inspirar os jovens a envolverem-se em projetos de conservação e humanitários. Liderou diversas iniciativas educativas centradas em chimpanzés selvagens e em cativeiro. Sempre guiada pelo seu fascínio pelos mistérios da evolução e por uma crença inabalável na necessidade fundamental de respeitar todas as formas de vida na Terra.”

As Nações Unidas manifestaram o seu pesar pelo falecimento de Jane na rede social X. “Hoje, a família das Nações Unidas chora a perda da Dra. Jane Goodall. A cientista, conservacionista e Mensageira da Paz da ONU trabalhou incansavelmente pelo nosso planeta e pelos seus habitantes, deixando um legado extraordinário para a Humanidade e para a Natureza”.

Também numa publicação na rede social X, o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lembrou que Goodall deixa “um extraordinário legado para a Humanidade e para o nosso planeta”. O responsável agradeceu a dedicação de toda uma vida à proteção do ambiente e o apoio que deu às Nações Unidas.

Nascida Valerie Jane Morris-Goodall, era a filha mais velha do empresário e piloto de corridas Mortimer Herbert Morris-Goodall e da escritora Margaret Myfanwe Joseph.

Desde criança, Jane era apaixonada pela vida selvagem e lia avidamente tudo o que podia sobre o mundo natural. O seu sonho era viajar para África, para aprender mais sobre os animais e escrever livros sobre eles.

Trabalhou como empregada de mesa para juntar dinheiro suficiente para uma viagem de barco até ao Quénia, onde foi aconselhada a tentar conhecer o respeitado paleontólogo Louis Leakey. Louis empregou-a como secretária no Museu Nacional de Nairobi, o que a levou a passar tempo com Louis e Mary Leakey nas Gargantas de Olduvai, à procura de fósseis.

Tendo testemunhado a paciência e determinação de Jane, Louis pediu-lhe que fosse para a Tanzânia estudar famílias de chimpanzés selvagens na floresta de Gombe. Jane sempre disse que teria “estudado qualquer animal”, mas sentia-se extremamente afortunada por ter tido a oportunidade de estudar o parente mais próximo do ser humano no seu habitat natural.

A 14 de julho de 1960, Jane chegou a Gombe pela primeira vez. Foi ali que desenvolveu a sua compreensão única do comportamento dos chimpanzés e fez a descoberta revolucionária de que os chimpanzés utilizam ferramentas— uma observação que ficou conhecida por “redefinir o que significa ser humano”.

Sabendo que o trabalho de Jane só seria levado a sério com formação académica, Louis Leakey ajudou-a a inscrever-se num doutoramento em Etologia no Newnham College, em Cambridge, apesar de Jane não ter um diploma universitário.

A sua tese de doutoramento, "O Comportamento dos Chimpanzés em Liberdade na Reserva de Gombe", foi concluída em 1965. O estudo inicial de três meses evoluiu para um programa de investigação extraordinário com décadas de duração, que ainda hoje continua.

Jane casou-se duas vezes. O seu primeiro marido, Hugo van Lawick, era um barão holandês e fotógrafo de vida selvagem da National Geographic. Divorciaram-se em 1974. Mais tarde, Jane casou-se com Derek Bryceson, membro do Parlamento da Tanzânia e antigo diretor dos Parques Nacionais do país. Derek faleceu em 1980.

Durante a sua vida, Jane escreveu mais de 27 livros para adultos e crianças, e participou em numerosos documentários e filmes, incluindo duas grandes produções IMAX. Em 2019, a National Geographic lançou a exposição itinerante “Becoming Jane”, centrada na sua vida e trabalho, ainda em digressão pelos Estados Unidos. A sua publicação mais recente, The Book of Hope: A Survival Guide for Trying Times, foi traduzida para mais de 20 idiomas.

Em 2002 foi nomeada Mensageira da Paz das Nações Unidas. Dois anos depois, foi condecorada como Dama Comandante da Ordem do Império Britânico (DBE) no Palácio de Buckingham. Foi também distinguida com a medalha presidencial da liberdade dos EUA, com a Legião de Honra francesa, com o Prémio Tyler para Realizações Ambientais, entre muitas outras distinções.

Em 1977, Jane fundou o Instituto Jane Goodall (JGI), inicialmente para apoiar a investigação em Gombe. Atualmente, existem 25 escritórios do JGI com programas diversos em vários países.

Em 1991, fundou o Roots & Shoots, um programa global ambiental e humanitário para jovens de todas as idades. Começou com 12 alunos do ensino secundário em Dar es Salaam. Hoje, o programa está ativo em mais de 75 países, capacitando jovens para se envolverem em projetos práticos que promovem mudanças positivas para as espécies, o ambiente e as suas comunidades.

Em 2017, Jane criou a Jane Goodall Legacy Foundation, para garantir a continuidade dos programas fundamentais que estabeleceu ao longo da sua vida.

Ao longo da sua vida e carreira, Jane inspirou gerações de cientistas, trouxe esperança a pessoas de todas as origens e desafiou-nos constantemente a lembrar que: “Cada um de nós faz a diferença todos os dias – e cabe-nos decidir que tipo de diferença queremos fazer.”

Segundo o Instituto Jane Goodall, “o seu legado continua através da investigação contínua em Gombe, do programa de conservação comunitária Tacare, dos santuários Chimp Eden (na África do Sul) e Tchimpounga (na República do Congo), e do Roots & Shoots, que continua a inspirar jovens a agir”.

Apesar de viajar cerca de 300 dias por ano, Jane mantinha a sua residência em Bournemouth, Reino Unido, na casa que pertenceu à sua mãe e avó. A sua irmã, Judy Waters, e a família sempre tiveram um papel crucial no apoio ao trabalho de Jane, recebendo-a calorosamente sempre que regressava a casa. Jane deixa o seu filho Hugo Eric Louis van Lawick (carinhosamente conhecido como Grub), três netos – Merlin, Angel e Nick – e a sua irmã Judy.


em Wilder

Jane Goodall no docsPT.
« Última modificação: Quinta, 02 de Outubro, 2025 - 19h45 por FragaCampos »
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Re: Jane Goodall (1934-2025)
« Resposta #1 em: Sexta, 03 de Outubro, 2025 - 01h18 »
Graças ao trabalho ímpar desta grande defensora da vida selvagem, acredito que muitos outros puderam testemunhar aquela que se tornou uma das filmagens mais acalentadoras e magníficas alguma vez registradas sobre a relação tão delicada e surpreendente entre o Homem e a Natureza.



É difícil não ficar com os olhos marejados de lágrimas diante de tamanho gesto de gratidão e carinho, sobretudo vindo de uma espécie com que temos tanto em comum.

É mais um grande ser iluminado que se parte, mas não sem antes de deixar um legado tão bonito e significativo para a Humanidade.
"O conhecimento anda de mãos dadas com a verdadeira luz".

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Re: Jane Goodall (1934-2025)
« Resposta #2 em: Sábado, 04 de Outubro, 2025 - 15h47 »



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Re: Jane Goodall (1934-2025)
« Resposta #3 em: Domingo, 05 de Outubro, 2025 - 13h54 »












"E isso conclui minha observação da Jane Goodall, provando que alguns indivíduos da espécie dela podem ser verdadeiramente bons."
Placa na árvore: Centro de Pesquisa



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Re: Jane Goodall (1934-2025)
« Resposta #4 em: Domingo, 05 de Outubro, 2025 - 21h14 »
Umas das frases que ficou famosa nela, aplica-se bem na sua vida.
Comportamento fascinante.