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Durante a guerra civil afegã, na década de 1990, o Museu Nacional, nos arredores de Cabul, esteve literalmente na linha de frente, sendo repetidamente atacado por foguetes e saqueado por caudilhos locais. Em seguida, durante o regime fundamentalista talibã, todas as estátuas e os túmulos não islâmicos foram destruídos por ordem judicial. Isso levou à perda de dois terços das 100 mil peças do Museu Nacional de Cabul.O Talibã foi expulso de Cabul após a intervenção militar dos EUA no Afeganistão, no final de 2001. Antes disso, o ministro da Cultura do Talibã supervisionou a destruição de muitas das peças restantes do museu. O que o Talibã não sabia era que muitos dos objetos mais magníficos já tinham sido levados. Mais de 25 anos antes, funcionários do museu tinham escondido os tesouros, quando as bombas começaram a cair. O governo afegão encontrou os cofres do tesouro escondidos em 2003 e fez o anúncio em 25 de agosto de 2003. Rapidamente solicitou assistência internacional para realizar um inventário dos artefatos. O trabalho foi feito em abril, maio e junho daquele ano.No início deste ano, o arrombamento de um cofre no palácio presidencial no centro de Cabul revelou que todo o tesouro estava intacto. Agora, um projeto de inventário financiado pela National Geographic Society catalogou os mais de 22 mil objetos. A coleção inclui estátuas de marfim requintadas e moedas de ouro e prata acumuladas ao longo de 2.500 anos. A descoberta é um raio de esperança na busca pela restauração do patrimônio cultural do Afeganistão, a maior parte do qual foi destruída para sempre por décadas de guerra e saques."Ao final do regime do Talibã, a maioria de nós pensou que não havia mais nada - apenas destruição e desespero", disse Fredrik Hiebert, membro da National Geographic. Hiebert liderou o projeto de inventário com o apoio da National Geographic e da Fundação Nacional para a Humanidade, dos EUA.Para além de todo esse ouro antes considerado perdido, o Afeganistão também abrigava outro tesouro de valor inestimável para a Arte: as esculturas dos seus Budas gigantes, no outrora magnífico Vale de Bamiyan, que foram implodidos pelo regime talibã. No entanto, segundo um arqueólogo francês, há outra estátua de Buda, ainda mais grandiosa, sepultada em algum lugar nesse terreno tão fustigado pela guerra. Descrita há mais de 1400 anos por um monge budista, poderia essa maravilha do mundo antigo ter sobrevivido e estar à espera de ser descoberta? É o próprio patrimônio e o legado do povo afegão para a cultura que estão em jogo, e há uma verdadeira corrida contra o tempo para salvar essa possível relíquia, antes de que a próxima onda de guerra ameace novamente desolar essas terras.